terça-feira, 1 de julho de 2014

René Descartes, de Rosselini

No início do século XVII, há o temor do novo. As ideias de Copérnico e de Galileu assombram a todos, doutrinados pelos mandamentos da igreja e da tradição aristotélica. Nesse ambiente, o jovem Descartes (1596-1650) ainda na escola jesuíta de Le Flèche, surge criticando a comparação que um colega fazia entre Galileu e Aristóteles. Descartes acha que não se deve compará-los. Aristóteles usa de silogismos para embasar suas ideias; Galileu, utiliza-se de observações diretas, provenientes do meio natural.
            Incomodado com “apenas” filosofia, Descartes pede autorização para ler novos livros que o aproxima das ciências exatas, citando os trabalhos de Della Porta. Esse é Descartes: um estudante da filosofia mas entusiasta das novas ciências. Descartes, ao terminar a escola de filosofia, pretende que ninguém o ajude, não quer seguir carreira nenhuma e decidi descobrir tudo por conta própria. Percebe que o que aprendeu até aqui de nada lhe serve. Intenta sair pela Europa para ver e aprender, sem os preconceitos da tradição.
            Chega em Paris.
            Percebe que muitas opiniões são defendidas com verdades e envernizadas pelo discurso dos professores. Resolve sair da França em direção à Holanda, com o objetivo de mais liberdade de expressão. Implanta a dúvida como forma de pensar. Faz a comparação do vendedor de maças para mostrar que para se ter certeza do bom fruto é necessário olhar um por um. É convidado para viajar a bordo de navios mas não aceita. Causa surpresa por seu soldado mas matemático e filósofo.
            Em suas divagações, Descartes percebe que todo o conhecimento deve ser comprovado. Para isso, devemos nos despir das ideias impregnadas, passadas através das gerações. Devemos ter cautela com as sensações diretas e guiar-nos pela razão.
            Surpreende-se com uma Paris que queima livros.
            Publica o “Discurso do Método”. São 21 regras para guiar a inteligência. Entre elas, afirmações como “apenas a geometria e a aritmética estão isentas de falsidade”, “o homem só cai em erro por desatenção”, “não se deve estudar opiniões”, defende a dedução como forma de atingir o conhecimento. Para Descartes, deve existir um método para o uso correto da mente humana.
            Produz a frase: “Cogito ergo sum.”
            A diversidade do conhecimento de Descartes é incrível. Estuda mecânica, geometria, aritmética, anatomia, filosofia.
            A despeito do conhecimento adquirido, Descartes defende que tudo depende da ação divina. Deus estabelece leis absolutamente perfeitas.
            Descartes estabelece duas naturezas no homem: o corpo e a alma. Compara o corpo a uma estátua. Depois, afirma que Deus coloca uma alma nessa máquina, sendo o cérebro o seu locus fisiológico. O cérebro controla então toda a máquina.
            Apesar do imenso respeito à Igreja, Descartes vive uma hesitação em publicar novo livro. Ele receia que o isolamento recebido por Galileu em função de suas ideias pode atingi-lo também. Ele afirma que o quer é apenas tranquilidade e paz. Entretanto, sempre pressionado pelo padre Mersenne, acaba por publicar o “Meditações Metafísicas”, trabalho que recebe críticas como a de não citar a bíblia mas que traz muitas e importantes contribuições filosóficas.
            Finalmente resolve viver com Helena, a mãe de sua filha, Francine. Perde o pai, depois perde Francine. Queixa-se de não ter estado o suficiente com a pequena Francine. Afirma que a “ciência impediu-me de viver.”

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