No início do século XVII, há
o temor do novo. As ideias de Copérnico e de Galileu assombram a todos,
doutrinados pelos mandamentos da igreja e da tradição aristotélica. Nesse
ambiente, o jovem Descartes (1596-1650) ainda na escola jesuíta de Le Flèche,
surge criticando a comparação que um colega fazia entre Galileu e Aristóteles.
Descartes acha que não se deve compará-los. Aristóteles usa de silogismos para
embasar suas ideias; Galileu, utiliza-se de observações diretas, provenientes
do meio natural.
Incomodado com “apenas” filosofia, Descartes pede
autorização para ler novos livros que o aproxima das ciências exatas, citando
os trabalhos de Della Porta. Esse é Descartes: um estudante da filosofia mas
entusiasta das novas ciências. Descartes, ao terminar a escola de filosofia,
pretende que ninguém o ajude, não quer seguir carreira nenhuma e decidi
descobrir tudo por conta própria. Percebe que o que aprendeu até aqui de nada
lhe serve. Intenta sair pela Europa para ver e aprender, sem os preconceitos da
tradição.
Chega em Paris.
Percebe que muitas opiniões são defendidas com verdades e
envernizadas pelo discurso dos professores. Resolve sair da França em direção à
Holanda, com o objetivo de mais liberdade de expressão. Implanta a dúvida como
forma de pensar. Faz a comparação do vendedor de maças para mostrar que para se
ter certeza do bom fruto é necessário olhar um por um. É convidado para viajar
a bordo de navios mas não aceita. Causa surpresa por seu soldado mas matemático
e filósofo.
Em suas divagações, Descartes percebe que todo o
conhecimento deve ser comprovado. Para isso, devemos nos despir das ideias
impregnadas, passadas através das gerações. Devemos ter cautela com as
sensações diretas e guiar-nos pela razão.
Surpreende-se com uma Paris que queima livros.
Publica o “Discurso do Método”. São 21 regras para guiar
a inteligência. Entre elas, afirmações como “apenas a geometria e a aritmética
estão isentas de falsidade”, “o homem só cai em erro por desatenção”, “não se
deve estudar opiniões”, defende a dedução como forma de atingir o conhecimento.
Para Descartes, deve existir um método para o uso correto da mente humana.
Produz a frase: “Cogito ergo sum.”
A diversidade do conhecimento de Descartes é incrível.
Estuda mecânica, geometria, aritmética, anatomia, filosofia.
A despeito do conhecimento adquirido, Descartes defende
que tudo depende da ação divina. Deus estabelece leis absolutamente perfeitas.
Descartes estabelece duas naturezas no homem: o corpo e a
alma. Compara o corpo a uma estátua. Depois, afirma que Deus coloca uma alma
nessa máquina, sendo o cérebro o seu locus
fisiológico. O cérebro controla então toda a máquina.
Apesar do imenso respeito à Igreja, Descartes vive uma
hesitação em publicar novo livro. Ele receia que o isolamento recebido por
Galileu em função de suas ideias pode atingi-lo também. Ele afirma que o quer é
apenas tranquilidade e paz. Entretanto, sempre pressionado pelo padre Mersenne,
acaba por publicar o “Meditações Metafísicas”, trabalho que recebe críticas
como a de não citar a bíblia mas que traz muitas e importantes contribuições
filosóficas.
Finalmente
resolve viver com Helena, a mãe de sua filha, Francine. Perde o pai, depois
perde Francine. Queixa-se de não ter estado o suficiente com a pequena
Francine. Afirma que a “ciência impediu-me de viver.”