sábado, 13 de fevereiro de 2016

Transdisciplinar

“É impossível isolar o indivíduo do seu ecossistema, o indivíduo de sua sociedade, o sujeito do objeto”. Assim começa a apresentação da transdisciplinaridade por Antônio Carlos de Azevedo Britto[1]. Temos nas mãos, um sujeito individualista como produto óbvio de uma acirrada apresentação de mídias que terceirizam a decisão de vida, de gostos, de cultura e de consumo do cidadão. É nesse cenário que se insere a educação, fermentada muitas das vezes pela mesma engrenagem e parte nela. Dessa forma, não se espera a devida transformação e sim mera reprodução, tão sabiamente desenhada e apontada por Pierre Bourdieu. A educação e os educandos se encontram em um terrível meio de competitividade e de pouca solidariedade, humanismo e respeito às diferenças. Nas universidades, o modelo é igualmente replicado. Os cursos de licenciatura apenas recirculam a informação sem ao menos ressignificá-las e e questioná-las. A disciplina é necessariamente um fragmento, um agregado de conhecimentos pares de fronteiras cada vez mais restritas e intransponíveis. A disciplina é necessariamente a narrativa do particular. O conhecimento verticaliza em proporções improváveis. A cada nova descoberta, parece se cria instantaneamente uma nova forma de se especializar, uma nova disciplina. Em seus redutos diminutos, são incapazes de por si só compreender a complexidade. Assim, formam-se especialistas e hiper-especialistas e os egressos se tornam retalho no tecido social craquelado e ausente de um pensamento em rede. Urge um novo paradigma. Pensamento em rede. Esse é o desafio de um cidadão esclarecido. Devemos contribuir para que produzamos cidadania sob forma de diversidade, autonomia para que se tenha a soberania do bem. O pensamento em rede é a transdisciplinaridade.
Para haver transdisciplinaridade não deve haver hierarquia, não deve haver nível fundamental. Todos os saberes são homogeinizados resultando em um extrato que traz em si seus componentes fundamentais e ao mesmo tempo nenhum deles mais. Trata-se de uma busca multidimensional pelo indivíduo para a solução de problemas cotidianos e para evolução de comportamento individual e social.
            A integração para o resultado transdisciplinar é possível. Para isso, os atores devem contribuir democraticamente com o novo conteúdo, saber ouvir, saber agir, dissipar seus preconceitos, suas fraquezas e barreiras para aprender, dividir, acrescentar e usufruir do novo conteúdo.



[1] Neffa, Elza e Britto, Antônio Carlos de A., Percepção Transdisciplinar – uma construção coletiva. Rio de Janeiro: Ed. EdUERJ. 2010.