“É impossível
isolar o indivíduo do seu ecossistema, o indivíduo de sua sociedade, o sujeito
do objeto”. Assim começa a apresentação da transdisciplinaridade por Antônio
Carlos de Azevedo Britto[1].
Temos nas mãos, um sujeito individualista como produto óbvio de uma acirrada
apresentação de mídias que terceirizam a decisão de vida, de gostos, de cultura
e de consumo do cidadão. É nesse cenário que se insere a educação, fermentada
muitas das vezes pela mesma engrenagem e parte nela. Dessa forma, não se espera
a devida transformação e sim mera reprodução, tão sabiamente desenhada e
apontada por Pierre Bourdieu. A educação e os educandos se encontram em um
terrível meio de competitividade e de pouca solidariedade, humanismo e respeito
às diferenças. Nas universidades, o modelo é igualmente replicado. Os cursos de
licenciatura apenas recirculam a informação sem ao menos ressignificá-las e e
questioná-las. A disciplina é necessariamente um fragmento, um agregado de
conhecimentos pares de fronteiras cada vez mais restritas e intransponíveis. A
disciplina é necessariamente a narrativa do particular. O conhecimento
verticaliza em proporções improváveis. A cada nova descoberta, parece se cria
instantaneamente uma nova forma de se especializar, uma nova disciplina. Em
seus redutos diminutos, são incapazes de por si só compreender a complexidade. Assim,
formam-se especialistas e hiper-especialistas e os egressos se tornam retalho
no tecido social craquelado e ausente de um pensamento em rede. Urge um novo
paradigma. Pensamento em rede. Esse é o desafio de um cidadão esclarecido.
Devemos contribuir para que produzamos cidadania sob forma de diversidade,
autonomia para que se tenha a soberania do bem. O pensamento em rede é a
transdisciplinaridade.
Para haver transdisciplinaridade não deve haver hierarquia, não deve
haver nível fundamental. Todos os saberes são homogeinizados resultando em um
extrato que traz em si seus componentes fundamentais e ao mesmo tempo nenhum
deles mais. Trata-se de uma busca multidimensional pelo indivíduo para a
solução de problemas cotidianos e para evolução de comportamento individual e
social.
A integração para o resultado
transdisciplinar é possível. Para isso, os atores devem contribuir
democraticamente com o novo conteúdo, saber ouvir, saber agir, dissipar seus
preconceitos, suas fraquezas e barreiras para aprender, dividir, acrescentar e
usufruir do novo conteúdo.
[1]
Neffa, Elza e Britto, Antônio Carlos de A., Percepção Transdisciplinar – uma
construção coletiva.
Rio de Janeiro: Ed. EdUERJ. 2010.